O INÍCIO DE TUDO
Eu não me lembro de querer ter sido ator. Os atores, cujas entrevistas cheguei a acompanhar, relatavam esse sonho de infância. Eu não. Nunca tive essa pretensão. Gostava de desenhar, de escrever, de brincar de lecionar. Nato, acho que sempre fui professor. Mas o teatro nunca saiu de mim. Desde então. Desde sempre.
Eu tinha um grupo de teatro no ensino fundamental. Nas duas escolas em que estudei. Meu primeiro livro é uma peça de teatro disfarçada de livro de poesia. No fundo, no fundo, eu sempre achei o ofício do ator fantástico. Poder viver tantas vidas. Acho que é porque sempre tive muita vida dentro de mim.
Foi quando quase a perdi que resolvi voltar para o teatro. Tinha 33 anos. Nessa idade, as brincadeiras são sérias. Mas eu confesso que me senti tocado por aquele curso da Fafi, escola de teatro de Vitória. Um curso de teatro como construção coletiva. Que me deu coragem para um de iniciação, para dois regulares...
De um curso, fiz duas peças, um comercial, uma ponta em um longa, um curta, duas webséries... E aquelas pessoas dizendo que eu sou bom, que eu atuo bem. E aquela vontade de palco. Aquela saudade de palco. Como naquele dia em que estive em BH e pisei, visitando, o palco do Cineteatro Nacional. Como eu queria estar ali... em uma peça... encenando.
Talvez eu sempre tenha sido ator. Só não me dei conta disso até hoje, a despeito dos outros.